terça-feira, 17 de maio de 2011

Sob o mesmo teto


Não fique triste, ainda há tempo. Não fique triste, pois já houve tempo, muito tempo. O sofá da sua casa não contará sua história, não será seu companheiro; ele tem braços, sim, mas não te envolverão e nem te acariciarão. Meu amor, não se force a ir mais cedo do que a hora; sinto falta de suas porra-louquices, agora, o máximo que você faz é beber vinho vendo televisão. Não me diga que o seu tempo já passou, não existe esse manual que instrua quando parar de cair na rua, gargalhar em um bar ou dançar com os olhos fechados. Preciso te ver bem para que eu consiga tirar, dessa infelicidade que é morar sob o mesmo teto que você, algo que me lembre porquê somos tão dependentes.
Não há tempo que aguente a sua instabilidade, pois a falta de senso mudou o meu bem-estar, o seu, então, nem se fala; apagou a minha calma, sumiu com nossos diálogos...restou só pó, poeira do que poderia ter sido. Poderíamos ter vivido bem, não fosse nosso temperamento - herança de nossas mães - se intrometendo pelas tangentes.
Escuto gritos, choros, desesperos, respostas ríspidas. Mas se eu me concentro bem, ainda lembro como era o som das nossas gargalhadas, das nossas torturas carinhosas, das confidências que trocávamos, da sua barriga toda vez que eu afundava meu rosto nela.
Vivemos sob o mesmo teto, somos eãmãe e ahlifilha e, entretanto, nossas vidas são divididas por um corredor: eu fico cá, você fica________lá.

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