terça-feira, 28 de abril de 2009

Segundos últimos

Segundos. Olhei o jardim e, quase imediatamente, fechei os olhos para sentir o sol batendo em meu rosto, a brisa suave me alcançando. Lembrei do dia em que passei por aquele portão marrom pela primeira vez. Atrasada...uma semana e um dia. Encostei-me a uma parede, esperando alguém me levar até minha sala. Parei, percorri, com o olhar, rapidamente o lugar aonde eu ia passar a maior parte do meu tempo pelos próximos oito anos.

Segundos. Eis meu último ano, e cada acontecimento ainda parece novidade, os dias me remetendo a rotinas diferenciadas, muitas vezes exaustivas. Anseio o fim desse “começo do fim” ao passo que ouço meus próprios lamentos ao imaginar as despedidas; um cotidiano se vai para dar espaço a outro. Enfrento com relutância os últimos momentos de convívio que outrora quero congelar, compartilho últimas façanhas com aqueles que presenciaram -sem entender - minhas falas atropeladas contracenando com meu silêncio desesperado.

Abro os olhos e vejo que tudo está correndo normalmente, em subsequência os comprimo e uma lágrima escorre silenciosamente, definindo essa minha briga interna; a saudade chegou antecipada ao pé das letras poeticamente resenhadas, enquanto o relógio acaba de dar mais uma volta.

Agora, faltam apenas segundos...(intermináveis; insuficientes)

domingo, 5 de abril de 2009

Suas Faces

Um olhar perdido em meio à multidão
O mundo deve ter saído do lugar
e ainda continuas desarmado
esperando que esse desmundo
se alie ao caos

Apareces com tua arrogância
perdido na genialidade
que, uma vez, te fez cego

Máscaras de uma frieza inexpressiva
cobrem suas tais faces vulneráveis
Faces de quem conhece o ódio,
em sua grande insignificância,
mas desconhece a dor.