sábado, 21 de março de 2009

Triste menino...viu uma estrela

Triste menino, ele é mal compreendido. Sonha com grandeza sem conseguir transparecer; mistura-se com gente de sua idade e até consegue enganar os que o observam. Revela-se incomum aos comuns que se perguntam por que aquela pessoa tão pequena vive a olhar para o céu. Alguns, simplesmente, o acham maluco e outros nem se dão ao trabalho de formar uma opinião sobre seu estranho hábito.
Menina dos olhos negros profundos, sempre bem abertos expressando curiosidade, ela prefere ouvir a falar, mas quando algo interessante chama sua atenção, mal pode ouvir, dedica seu tempo inteiramente a questionar. E ela percebe o garoto; milhões de perguntas se formam e entrelaçam-se em seus pensamentos confusos, indecisos.
Aquele dia chuvoso trazia um milagre, uma desilusão e saudades, mas nem o menino nem a menina sabiam disso. A chuva ia levar embora os sonhos e perguntas ainda mais rápido do que surgiram.
Ela ficou, em pé, ao lado do garoto sem dizer, ao menos, uma palavra. Sentia-se boba, levemente preocupada. E ele continuava com o rosto virado para o céu, mas seus olhos estavam fechados, quase suplicantes. Abriu-os, finalmente, e se deparou com a garota o fitando. Assim ficaram por um tempo... até ele voltar a olhar para o céu e sussurrar – Obrigado – então se virou e foi embora, deixando-a sozinha no meio daquele jardim enlameado.
Na semana seguinte, o tempo estava meio nublado, o menino foi para a sala de aula sem olhar, como era de costume, para cima. Segurava uma folha, era um texto que ia ler para a turma sobre a garota, entretanto, o lugar desta estava vazio.
Ele contou sobre a estrela cadente que vira e o seu pedido que se realizara: A menina do olhar observador tinha ido até ele. Isso bastou; então se contentou em, apenas, poder admirá-la, porém sabia que já não havia mais nada para admirar. Ele a deixou sozinha e, agora, ela tinha ido embora.
Enfim o menino voltou a olhar para o céu, porque em seu coração – na imensidão de seus sentimentos que pulsavam sem parar em seu pequenino corpo – acreditava que, um dia, a menina ia ficar, em pé, ao seu lado novamente.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Presença que se ausenta

Você nunca está aqui. Quero os seus braços tão amigáveis aos quais eu me atiro sem pensar. Esconder meu rosto afundando-o em seu abraço forte; nada a falar; apenas um singelo olhar meigo que me consola, me faz segura. Mas eu choro e você foge assustado, algo em mim parece afastá-lo. Ah, aqueles abraços me fazem falta. As palavras nem tanto.
Vou até você e você vai até outra pessoa, como uma perseguição que nunca acaba. Brigo tentando mudar a ordem dos fatores, no entanto o resultado é sempre o mesmo.
Talvez não seja recíproco e, talvez isso não faça a menor diferença, mas talvez faça a maior diferença do mundo. Não sei se consigo levantar a nós dois, alguém precisará me levantar enquanto eu tento, com todas as forças, não te deixar cair. Era para ser recíproco, eu esperava que fosse.
Meu apoio lhe é incondicional, já o seu me é inexistente. Faz por mim o que não faria por mais ninguém – Exatamente nada. Meus olhos te vêem com uma admiração sincera, porém cheia de contradições, as quais você me fez enxergar durante esta sua ausente presença.
Meu motivo de alegria, e, minha tristeza inconformada, jamais ousaria lhe pedir para mudar, mas tenho que falar: Ando um tanto insatisfeita, minha vida é ruim com você, e muito pior sem.