sábado, 3 de outubro de 2009

“Felicidade só é verdadeira quando compartilhada”

A minha noção de liberdade é escassa, sem compromisso.
Vejo-me parada em meio a tanta gente a tanto barulho a tantos prédios
vejo a beleza em cada centímetro de construção.
A cada passo que me torno mais conhecedora do mundo
ou a cada passo que me torno menos livre da consciência humana,
encontro-me mais sozinha.
Isso poderia significar um mundo de oportunidades,
mas a independência é ruim de ser aproveitada daqui,
onde posso ir a qualquer lugar e fazer o que quiser

em meio a toda essa solidão - libertei-me! 
Dancei. Cantei. Amei. Vivi.
Ninguém estava olhando, eu e meu vasto mundo

de sabedorias e vontades que cabe em apenas um cômodo.
(Sou obrigada a ir com a multidão, seja ela qual for, e a cada movimento sinto-me mais enjaulada por meus devaneios jamais espalhados, assim, minha existência vai desaparecendo e se transformando em cinzas. Desistência. Não se pode lutar contra a própria natureza, então me desfiz. Um ser vazio quando acompanhada; um ser vivo quando abandonada...desse engodo, reinvento-me e faço da convivência a minha rotina sem escapatória, da barraca a minha fuga sem restrições.)

Vou-me, modificando e crescendo, enquanto os meus momentos incompartilháveis vão sendo descobertos
e divididos entre mim e o resto de mim........................
minhas partes ilimitadas

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pardal

És diferente; perdido no meio de um bando. Em um certo momento bobo, um palhaço quase forçado demais, noutro sério, temperamental, ser comum. Então, as palavras tomam conta de teu eu...e elas lavam tua alma, não é mesmo?! Pássaro irreal – para muitos – aquele que narra teus textos, tua imaginação. Um homem com tua juventude é o que te tornas, a visão fantástica vai além, bem além, de tua visão cega, nem precisas dela, mas será que tens a ciência disso? Voas, vais longe. Revolta, angústia, paixão, desilusão, sonho. Agora teu vôo é baixo e impreciso, sabes, ao menos, onde estás indo? Queres pousar, mas andas indignado com o mundo, o teu mundo. Torturado és por ser assim...tão...tão...nômade de tuas posses, de teus jeitos variáveis.
Esconda teu bico entorpecido e abra tuas belas penas em movimentos repetitivos, lentamente. Ah, é uma bela cena...um único instante de esclarecimento, tu ficaste transparente, mas logo fechas as asas para viver em pensamentos ininterruptos, exclusivamente teus. Lá se vê o pequeno pardal novamente, seguindo o fluxo habitacional, pois é algo penoso ir contra o vento. Já saíste de tua casca, mas pareces continuar querendo te esconder dentro dela, deixes tuas palavras te seguirem e tomarem conta de ti; espalhe-as por aí...
Sais de teu ninho e alcanças alto vôo que tua terra sempre espera a hora de tua volta, sempre diferente, sempre mais completa.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pausar, rebobinar, apertar play

Meu espírito revolucionário um dia será esquecido; meus sonhos de juventude um dia mudarão; meu romantismo um dia será substituído por amargura; minha vontade de mudar o mundo um dia terá sido apenas uma desilusão apagada pelo cotidiano – É o que dizem aqueles que estiveram no meu lugar, se acham sábios e no direito de tornar tudo o que pensam em verdade absoluta. Como se a verdade não fosse relativa...ah, e eu sei bem que ela é!
Não vejo lógica alguma em seguir os passos daqueles que nada me ensinaram, só me fizeram seguir sistemas deploráveis, me mostraram a irracionalidade do ser humano, que desiste de seus ideais sob a desculpa de que o tempo passou.
O tempo sempre passa, mas o que você faz com esse tempo para formar caminhos diferentes daqueles que não obtiveram sucesso? Nada que seja suficiente, pois ninguém levou a sério seus sonhos interrompidos. Eu vi a mudança ser constantemente adiada por meus pais e pelos pais deles...e agora eu vejo a esperança cair na real.
Os anos levaram consigo o brilho que vivia lá no olhar dos sonhadores e o entusiasmo de um jovem persistente que continuou lutando mesmo após tantas derrotas. Hoje, essa juventude anda disfarçada de trabalhadores - Os incansáveis, já cansados, na busca pelo bem material. – burgueses!
Enquanto eu fico aqui me lembrando de todas as conversas imaginárias que mantive com um amigo real, eu temo que, talvez, o brilho em meus olhos já não seja mais o mesmo, pois o tempo está passando...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Segundos últimos

Segundos. Olhei o jardim e, quase imediatamente, fechei os olhos para sentir o sol batendo em meu rosto, a brisa suave me alcançando. Lembrei do dia em que passei por aquele portão marrom pela primeira vez. Atrasada...uma semana e um dia. Encostei-me a uma parede, esperando alguém me levar até minha sala. Parei, percorri, com o olhar, rapidamente o lugar aonde eu ia passar a maior parte do meu tempo pelos próximos oito anos.

Segundos. Eis meu último ano, e cada acontecimento ainda parece novidade, os dias me remetendo a rotinas diferenciadas, muitas vezes exaustivas. Anseio o fim desse “começo do fim” ao passo que ouço meus próprios lamentos ao imaginar as despedidas; um cotidiano se vai para dar espaço a outro. Enfrento com relutância os últimos momentos de convívio que outrora quero congelar, compartilho últimas façanhas com aqueles que presenciaram -sem entender - minhas falas atropeladas contracenando com meu silêncio desesperado.

Abro os olhos e vejo que tudo está correndo normalmente, em subsequência os comprimo e uma lágrima escorre silenciosamente, definindo essa minha briga interna; a saudade chegou antecipada ao pé das letras poeticamente resenhadas, enquanto o relógio acaba de dar mais uma volta.

Agora, faltam apenas segundos...(intermináveis; insuficientes)

domingo, 5 de abril de 2009

Suas Faces

Um olhar perdido em meio à multidão
O mundo deve ter saído do lugar
e ainda continuas desarmado
esperando que esse desmundo
se alie ao caos

Apareces com tua arrogância
perdido na genialidade
que, uma vez, te fez cego

Máscaras de uma frieza inexpressiva
cobrem suas tais faces vulneráveis
Faces de quem conhece o ódio,
em sua grande insignificância,
mas desconhece a dor.

sábado, 21 de março de 2009

Triste menino...viu uma estrela

Triste menino, ele é mal compreendido. Sonha com grandeza sem conseguir transparecer; mistura-se com gente de sua idade e até consegue enganar os que o observam. Revela-se incomum aos comuns que se perguntam por que aquela pessoa tão pequena vive a olhar para o céu. Alguns, simplesmente, o acham maluco e outros nem se dão ao trabalho de formar uma opinião sobre seu estranho hábito.
Menina dos olhos negros profundos, sempre bem abertos expressando curiosidade, ela prefere ouvir a falar, mas quando algo interessante chama sua atenção, mal pode ouvir, dedica seu tempo inteiramente a questionar. E ela percebe o garoto; milhões de perguntas se formam e entrelaçam-se em seus pensamentos confusos, indecisos.
Aquele dia chuvoso trazia um milagre, uma desilusão e saudades, mas nem o menino nem a menina sabiam disso. A chuva ia levar embora os sonhos e perguntas ainda mais rápido do que surgiram.
Ela ficou, em pé, ao lado do garoto sem dizer, ao menos, uma palavra. Sentia-se boba, levemente preocupada. E ele continuava com o rosto virado para o céu, mas seus olhos estavam fechados, quase suplicantes. Abriu-os, finalmente, e se deparou com a garota o fitando. Assim ficaram por um tempo... até ele voltar a olhar para o céu e sussurrar – Obrigado – então se virou e foi embora, deixando-a sozinha no meio daquele jardim enlameado.
Na semana seguinte, o tempo estava meio nublado, o menino foi para a sala de aula sem olhar, como era de costume, para cima. Segurava uma folha, era um texto que ia ler para a turma sobre a garota, entretanto, o lugar desta estava vazio.
Ele contou sobre a estrela cadente que vira e o seu pedido que se realizara: A menina do olhar observador tinha ido até ele. Isso bastou; então se contentou em, apenas, poder admirá-la, porém sabia que já não havia mais nada para admirar. Ele a deixou sozinha e, agora, ela tinha ido embora.
Enfim o menino voltou a olhar para o céu, porque em seu coração – na imensidão de seus sentimentos que pulsavam sem parar em seu pequenino corpo – acreditava que, um dia, a menina ia ficar, em pé, ao seu lado novamente.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Presença que se ausenta

Você nunca está aqui. Quero os seus braços tão amigáveis aos quais eu me atiro sem pensar. Esconder meu rosto afundando-o em seu abraço forte; nada a falar; apenas um singelo olhar meigo que me consola, me faz segura. Mas eu choro e você foge assustado, algo em mim parece afastá-lo. Ah, aqueles abraços me fazem falta. As palavras nem tanto.
Vou até você e você vai até outra pessoa, como uma perseguição que nunca acaba. Brigo tentando mudar a ordem dos fatores, no entanto o resultado é sempre o mesmo.
Talvez não seja recíproco e, talvez isso não faça a menor diferença, mas talvez faça a maior diferença do mundo. Não sei se consigo levantar a nós dois, alguém precisará me levantar enquanto eu tento, com todas as forças, não te deixar cair. Era para ser recíproco, eu esperava que fosse.
Meu apoio lhe é incondicional, já o seu me é inexistente. Faz por mim o que não faria por mais ninguém – Exatamente nada. Meus olhos te vêem com uma admiração sincera, porém cheia de contradições, as quais você me fez enxergar durante esta sua ausente presença.
Meu motivo de alegria, e, minha tristeza inconformada, jamais ousaria lhe pedir para mudar, mas tenho que falar: Ando um tanto insatisfeita, minha vida é ruim com você, e muito pior sem.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Vivo sem ter vivido

Tenho medo e me permito dizer que não sei exatamente do que. Acho que minhas escolhas e os caminhos que percorri me trouxeram até esta onda de incerteza que é o agora, e, às vezes, a única certeza que eu tenho é que vivo em um presente irreal, como um futuro previsto...
Vivo um romance ideal, um comparado às grandes paixões, ou uma mistura de todas elas.
Vivo um ser de outro país, onde eu me satisfaço com o fato de ser livre e não ter fronteiras separando a estória da história.
Vivo sem ter me corrompido ao comodismo habitual...as quatro paredes do meu quarto são insuficientes à minha visão e ainda mais à minha ambição sonhadora.
Vivo uma amizade que supera preconceitos e, principalmente, o tempo.
Vivo o tempo como uma cápsula que deveria ter sido encontrada há anos...sou um tanto futuro do pretérito.
Vivo sem definições...aquilo que é, pode também não ser e, quem sabe, talvez, até um meio termo.
Vivo sem a teoria da inércia...o que me move é a idealização, e também, é o que me faz estática.
Vivo em constante pausa...para pensar em todos os tempos verbais.
Vivo em abstinência...somente porque exige coragem.
Vivo sem ter vivido todas as lembranças daquilo que ainda nem, ao menos, senti.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Contorno de um momento

Coisas tão passageiras essas que me preencheram até agora; nada parece ser controlado e aquela sensação de agarrar o momento passa rapidamente. Se pisco os olhos, quando os abro novamente já estou deitada em minha cama rindo do que se sucedeu naquela noite.
No dia seguinte é sempre mais estranho, tenho a leve impressão de já estar longe daqueles fatos. Após algum tempo é ainda
 pior - Apenas fruto da minha imaginação? - e então, já não dá mais para distinguir se foi um sentimento momentâneo ou passageiro.
Mas uma coisa é certa: Eu volto a sorrir cada vez que lembro do simples contorno daquele momento.